Notícia

Desemprego e informalidade crescem na América Latina, segundo OIT


No primeiro semestre, taxa subiu para 8,8% e afetou 26 milhões de pessoas, diz a organização


O desemprego é preocupante na América Latina, onde milhões de pessoas trabalham na informalidade, sem contribuir para a previdência social, o que compromete a arrecadação de uma futura aposentadoria, advertiu a Organização Internacional do Trabalho (OIT) nesta terça-feira (2).


"Há um aumento na incerteza em termos de mercado de trabalho", disse Guy Ryder, diretor-geral da OIT, na abertura da Reunião Regional Americana no Panamá.


Segundo Ryder, após 2014 a região entrou em um ciclo de desaceleração econômica em que o desemprego médio passou de 6,1% para 8,1% em 2017.


No primeiro semestre de 2018, a taxa de desemprego subiu para 8,8% e afetou pelo menos 26 milhões de pessoas, segundo a OIT.


"É improvável reverter a tendência negativa dos últimos anos. Estamos enfrentando uma situação de desemprego que se qualificaria como preocupante", disse Ryder na reunião, que vai até sexta-feira.


Luiz Fernando da Costa Antunes Maciel, 38, foi demitido meses após ter sido chamado para ser supervisor de uma empresa de comércio eletrônico. Desempregado desde abril, trabalha como motorista de aplicativo Avener Prado/Folhapress

Além disso, segundo o representante da OIT, mais da metade dos trabalhadores (53%) na América Latina trabalha informalmente.


Com esse panorama, de acordo com a OIT, será um "verdadeiro desafio" atender aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), um conjunto de compromissos adotados em 2015 por 193 líderes mundiais para erradicar a pobreza e a desigualdade em 2030.


O diretor da OIT observou que houve algum progresso em termos de igualdade das mulheres no mercado de trabalho, mas a situação dos jovens é menos animadora, com 18% de desemprego juvenil na América Latina.


Segundo a OIT, 40% dos desempregados da região são jovens.


SEM PROTEÇÃO SOCIAL


Um desafio na região é a proteção social dos trabalhadores, a maioria dos quais não contribui para a previdência social, o que compromete seu acesso à aposentadoria.


"É preciso reconhecer que na América Latina mais da metade dos trabalhadores, 55%, não contribuem para nenhum sistema de previdência social", alertou Ryder.


A OIT afirma que na América Latina quase 71% dos idosos recebem algum tipo de pensão, enquanto apenas 28,9% das pessoas em idade ativa contribuem.


Na América Latina, apenas Bolívia e Guiana têm cobertura de aposentadoria superior a 90%. São seguidos por Argentina, Chile, Uruguai, Brasil, Colômbia, Venezuela, Equador, Costa Rica, Honduras e Belize.


A cobertura em México, Nicarágua, Panamá e Paraguai varia entre 20% e 49%, enquanto na Guatemala, em El Salvador e no Peru não chega a 20%.


A OIT reconhece que as reformas previdenciárias não produziram o efeito esperado de garantir o acesso universal às aposentadorias.


Alguns países que optaram por sistemas privados estão retornando aos modelos de pensão solidária e pública, de acordo com Ryder.


Ele defendeu uma "cobertura de nível suficiente para garantir um padrão de vida decente. Também temos que ampliar a cobertura do sistema de proteção social e isso tem muito a ver com o desafio da informalidade".


A OIT pediu para os governos da região promoverem negociações coletivas entre organizações sindicais e empresariais.


"Há um déficit de diálogo social nas Américas, cada país tem suas particularidades, mas a consolidação contínua dos processos de diálogo social continua sendo uma questão pendente", afirmou Ryder.


APOIO À VENEZUELA


Ryder ainda pediu para os países latino-americanos facilitarem o acesso ao mercado de trabalho a milhares de venezuelanos que abandonaram seu país, em meio a uma crise política e econômica.


"Temos que buscar a forma de criar a possibilidade" de que os venezuelanos migrantes possam "ter acesso aos mercados de trabalho", disse Ryder.


Contudo, reconheceu que isso "não é uma coisa fácil" devido ao discurso populista atual contra a migração em muitos países.


Fonte: Folha de São Paulo


Data: 04/10/2018

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