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Estudo do Senado diz que idoso tem mais chance de conseguir emprego


Levantamento aponta que o desemprego tende a ser maior entre os mais jovens, pois eles não possuem experiência no mercado de trabalho


Jovens têm mais chances de ficarem desempregados


Para Sebastião Antonio da Silva Netto, a idade avançada nunca foi um impedimento para que continuasse trabalhando. Aos 81 anos, ele é subgerente em uma unidade de uma rede de farmácias no Rio de Janeiro onde está empregado desde 1999, quando tinha 61 anos.


Ele lembra que, na época da contratação, a idade também não foi problema para que conseguisse a vaga, já que a vivência e experiência no mercado de trabalho estavam a seu favor. “Me sinto bem e feliz. Gosto muito do meu trabalho. Afinal, já vivi uma vida aqui, conheço todos: colaboradores, clientes, o presidente da rede", afirma.


O caso de Silva confirma uma estatística apontada pela pesquisa “Probabilidade de Desemprego por Faixa Etária”, produzida Núcleo de Estudos e Pesquisas de Consultoria Legislativa do Senado Federal. Segundo o levantamento, a probabilidade de estar desempregado é maior entre os jovens do que idosos.


A pesquisa aponta que os homens idosos têm maior chance de conseguir um emprego do que os adultos na faixa de 45 a 50 anos. Já para as mulheres idosas, a probabilidade é decrescente, e a idade de maior empregabilidade é 65 anos.


Ainda de acordo com o levantamento, “a grande dificuldade de se arranjar emprego é na fase da juventude, quando ainda se dispõe de pouca experiência no mercado de trabalho”.


O objetivo da pesquisa, segundo o Senado, é contribuir com o debate da reforma da Previdência, já que “um dos principais argumentos contra uma idade mínima é a suposta prevalência de trabalhadores mais velhos entre os desempregados”.


Professora de economia do Insper, Juliana Inhasz afirma que pessoas mais velhas tendem a ser mais experientes e, por isso, podem levar vantagem na hora de ser escolhidas pelas empresas que contratam menos em períodos de crise.


“Apesar de ter dificuldades com as tecnologias, são pessoas que conseguem fazer o trabalho muito bem. Em momentos de crise, [as empresas] preferem pessoas com mais experiência porque a chance de dar certo é maior”, afirma.


Perfil mudou


Juliana também diz que o perfil dos jovens mudou ao longo dos últimos anos. Além de eles terem mais dificuldades de adaptação no mercado de trabalho, também existe um distanciamento entre o que é ensinado na teoria e o que se exige na prática. Hoje, os jovens tendem a procurar emprego mais tarde, focando primeiro em especializações na área. Isso aumenta as expectativas de salário, que, no entanto, não são correspondidas pelo mercado.


“Como o desemprego sempre deu medo, sempre assombrou os mais velhos, eles acabam aceitando condições diferenciadas, que às vezes não são tão favoráveis, para evitar o desemprego”, explica a professora.


A proximidade com o período de aposentadoria não é mais um tema que assusta tanto as empresas na hora da contratação, já que houve uma mudança no perfil do mercado. “As pessoas podem se aposentar cedo, mas continuam trabalhando, porque o benefício que a Previdência paga não é suficiente para manter o padrão de vida que tinham antes de se aposentar”, diz.


Já a coordenadora de Estudos e Pesquisas de Igualdade de Gênero, Raça e Gerações do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Ana Amélia Camarano, afirma que os jovens, além de terem mais dificuldades para se colocar no mercado pela falta de experiência, são prejudicados pela maior rotatividade entre empregos.


Ana Amélia, porém, diz que o preconceito contra idosos no mercado de trabalho ainda existe. "Ainda há preconceito por parte dos empregadores. O principal motivo diz respeito à dificuldade de acompanhar as atividades tecnológicas", explica.


A coordenadora do Ipea ainda afirma que a conclusão da pesquisa do Senado "é muito forte", quando é considerada como argumento para justificar a reforma da Previdência.


"Leitura crítica"


Sobre o levantamento, a fundadora da Gestão Kairós — consultoria de sustentabilidade e diversidade —, Liliane Rocha, diz que traz dados interessantes, mas deve ser avaliado com cautela. “Acho que a pesquisa é interessante para gerar reflexão, mas ela tem que ter uma leitura crítica, pois fala sobre a reforma da Previdência”, afirma.


Para Liliane, o levantamento precisaria ter abordado quem são esses idosos. “Algo que eu sempre comento quando falo da idade em si, que eu achei que o estudo não considerou, é a questão de quem é esse idoso. O Brasil é um país de dimensões continentais. A gente está falando do idoso de centro urbano? Da ocupação informal? Acho que tem uma série de questões que precisam ser informadas”, questiona.


Fonte: R7


Data: 11/02/2019

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